O pintado, também conhecido como surubim, é um dos maiores e mais cobiçados peixes de água doce do Brasil. Com exemplares que ultrapassam 100 quilos em ambientes naturais, esse bagre gigante proporciona brigas memoráveis e desafia até os pescadores mais experientes. Neste guia completo, você vai descobrir tudo sobre como pescar pintado com sucesso, desde a escolha dos equipamentos até os melhores destinos no país.
Conhecendo o Pintado
Espécies e Características
O pintado pertence à família Pimelodidae e engloba duas espécies principais encontradas nas águas brasileiras:
- Pintado (Pseudoplatystoma corruscans): o mais comum e procurado, reconhecido pelas manchas escuras arredondadas sobre o corpo acinzentado. Pode atingir mais de 1,5 metro de comprimento e pesar acima de 80 quilos em rios como o Paraguai e o São Francisco.
- Cachara (Pseudoplatystoma fasciatum): espécie muito semelhante, mas com listras verticais em vez de manchas arredondadas. Também atinge grandes proporções e é igualmente esportivo.
- Surubim-do-Paraíba (Steindachneridion parahybae): espécie endêmica do rio Paraíba do Sul, menor e infelizmente ameaçada de extinção.
Todos os surubins são predadores noturnos com corpo alongado, cabeça achatada e longos barbilhões sensoriais que usam para localizar presas no fundo dos rios. A boca larga permite engolir peixes relativamente grandes, o que explica por que iscas vivas de bom tamanho são tão eficientes.
Habitat e Comportamento
O pintado habita o fundo de rios de grande e médio porte, preferindo locais com correnteza moderada, poços profundos e estruturas submersas como troncos, pedras e barrancos. Durante o dia, permanece abrigado em tocas e áreas sombreadas. Ao anoitecer, sai para caçar ativamente, percorrendo longas distâncias em busca de peixes forrageiros.
A temperatura ideal da água fica entre 22°C e 28°C. Em épocas de águas mais frias, o pintado reduz a atividade alimentar e se concentra em poços mais profundos, onde a temperatura é mais estável.
Melhores Iscas para Pintado
Iscas Naturais Vivas
A isca viva é, sem dúvida, a mais eficiente para pintado. As preferidas são:
- Tuvira: considerada a rainha das iscas para pintado, esse peixe elétrico libera micro-descargas que atraem o surubim de longe. Isque pela nadadeira dorsal ou pelo lábio inferior para manter a tuvira ativa por mais tempo.
- Lambari: versátil e acessível, funciona bem para pintados de todos os tamanhos. Isque pelo dorso ou pela boca, usando anzóis de tamanho 4/0 a 8/0.
- Muçum: isca resistente que se mantém viva por horas. Extremamente atrativa para pintados grandes, especialmente em rios do Pantanal.
- Piramboia: similar ao muçum, é uma isca de fundo que funciona muito bem em noites escuras.
- Sarapó: outra espécie de peixe elétrico que, assim como a tuvira, emite sinais bioelétricos irresistíveis para o pintado.
Iscas Artificiais
Embora as iscas naturais sejam tradicionais, as artificiais têm ganhado espaço na pesca de pintado:
- Jigs de fundo: iscas de chumbo com saia de silicone ou trailers de borracha são muito eficientes quando trabalhadas rente ao fundo com toques curtos.
- Shads e soft plastics: imitações de peixe em borracha, montadas em jig heads, reproduzem o movimento natural de presas e funcionam bem em corredeiras e poços.
- Crankbaits de profundidade: plugs de mergulho profundo que atingem 4 a 6 metros são úteis para cobrir grandes áreas durante o dia.
- Vibrações (lipless crankbaits): emitem vibrações que o pintado detecta com seus barbilhões, sendo eficientes em águas turvas.
Equipamentos Recomendados
A pesca de pintado exige equipamentos robustos capazes de lidar com peixes que frequentemente ultrapassam 20 quilos:
Vara
- Ação: média-pesada a pesada
- Comprimento: 1,80m a 2,40m para pesca embarcada; 2,70m a 3,60m para pesca de barranco
- Resistência: 20 a 50 libras
- Varas de carbono oferecem melhor sensibilidade para detectar toques sutis no fundo
Carretilha ou Molinete
A eterna dúvida entre carretilha e molinete se resolve assim para o pintado:
- Carretilha perfil alto: preferida pela maioria dos pescadores de pintado. Oferece maior poder de recolhimento e controle durante a briga. Modelos com drag de pelo menos 10 kg são essenciais.
- Molinete série 5000 a 8000: boa alternativa, especialmente para quem pesca de barranco e precisa de arremessos longos.
Linha e Acessórios
- Linha principal: multifilamento de 50 a 80 libras. O multifilamento oferece menor diâmetro e maior sensibilidade para sentir o toque do pintado no fundo.
- Líder: fluorocarbono de 60 a 100 libras, com 1 a 2 metros de comprimento. Essencial para resistir à boca áspera do pintado.
- Anzol: modelos 6/0 a 10/0, preferencialmente circle hooks para pesca com isca viva, pois facilitam a fisgada no canto da boca e o catch and release.
- Chumbada: peso variável conforme a correnteza, geralmente entre 80 e 200 gramas. Use chumbadas do tipo oliva ou gota para reduzir enroscos no fundo.
Técnicas de Pesca
Pesca de Fundo (Rodada)
A técnica mais tradicional no Pantanal: o barco desce o rio lentamente com o motor desligado, levado pela correnteza, enquanto as iscas vão junto ao fundo. O pescador mantém a linha levemente tensionada, sentindo cada toque com a ponta da vara.
Dicas para a rodada:
- Mantenha a isca sempre em contato com o fundo
- Use chumbada suficiente para que a linha forme um ângulo de 45 a 60 graus com a água
- Ao sentir o toque, espere o pintado engolir completamente antes de fisgar — conte mentalmente até 3
- Em rios com muitas estruturas, use anzóis com anti-enrosco
Pesca de Barranco
Ideal para quem não dispõe de embarcação. Escolha barrancos em curvas de rio, onde a correnteza escava poços profundos que o pintado frequenta:
- Posicione a isca na entrada ou saída do poço
- Use suporte de vara (forquilha) para aguardar confortavelmente
- A pesca noturna é muito mais produtiva para pintado de barranco
- Leve lanterna de cabeça, mas evite apontar a luz diretamente para a água
Pesca com Artificial
Técnica que vem crescendo entre os pescadores mais esportivos:
- Trabalhe os artificiais sempre rente ao fundo
- Use jigs com toques curtos e pausas longas — o pintado costuma atacar durante a pausa
- Em corredeiras, deixe o shad derivar naturalmente e faça recolhimentos lentos
- Vara de ação média proporciona melhor sensibilidade para essa modalidade
Melhores Locais para Pescar Pintado no Brasil
Pantanal (MS/MT)
O Pantanal é o destino número um para pintado no Brasil. Os rios Paraguai, Miranda, Aquidauana e Taquari abrigam populações enormes, com exemplares que regularmente ultrapassam 30 quilos. A melhor época é entre maio e outubro, durante a seca, quando os rios baixam e os peixes se concentram nos canais principais.
Rio São Francisco (MG/BA)
O Velho Chico é berço de pintados gigantes. A região de Três Marias (MG) e o trecho entre Bom Jesus da Lapa e Ibotirama (BA) são especialmente produtivos. A pesca é boa o ano todo, mas os meses de inverno (junho a agosto) concentram os melhores resultados.
Rio Paraná e Afluentes (SP/PR/MS)
A bacia do Paraná, incluindo rios como Paranapanema, Tietê e Ivinhema, oferece ótimas oportunidades. As áreas próximas a barragens são particularmente produtivas, pois concentram peixes forrageiros que atraem os pintados.
Bacia Amazônica
Na Amazônia, o surubim-cachara é a espécie predominante. Rios como Araguaia, Tocantins e afluentes do Amazonas oferecem pesca excepcional, especialmente durante a vazante (julho a novembro).
Regulamentação e Conservação
A pesca de pintado é regulamentada pelo IBAMA e por órgãos estaduais de meio ambiente. Algumas regras essenciais:
- Tamanho mínimo de captura: varia por estado, geralmente entre 80 cm e 85 cm de comprimento total
- Cota de captura: normalmente limitada a 1 a 3 exemplares por pescador por dia, dependendo do estado
- Período de defeso: a pesca do pintado é proibida durante a piracema, geralmente de novembro a fevereiro, quando a espécie realiza sua migração reprodutiva rio acima
- Licença de pesca: obrigatória em todo o território nacional. Consulte nosso guia sobre como obter a licença do IBAMA
O pintado é uma espécie que sofre forte pressão pesqueira, tanto esportiva quanto comercial. Por isso, a prática do pesque e solte é fortemente recomendada, especialmente para exemplares acima de 10 quilos que são reprodutores importantes para a manutenção da espécie.
Dicas Finais para Pescar Pintado
- Prefira a pesca noturna: o pintado é essencialmente um caçador noturno. As melhores fisgadas acontecem entre 18h e 6h.
- Respeite o defeso: a piracema é fundamental para a reprodução da espécie. Nunca pesque durante o período proibido.
- Invista em bons equipamentos: a briga com um pintado grande exige equipamentos confiáveis. Uma falha no drag ou na linha significa peixe perdido.
- Aprenda a fazer bons nós: nós mal feitos são a principal causa de perda de peixes grandes. O nó Palomar e o uni-knot são excelentes para a pesca de pintado.
- Mantenha a calma na briga: o pintado faz corridas longas e usa seu corpo achatado como leme para se enfiar em estruturas. Mantenha a linha tensa, mas permita que o drag trabalhe.
- Cuide da manutenção dos equipamentos: a pesca em água doce barrenta exige limpeza frequente das carretilhas e molinetes.
Perguntas Frequentes
Qual a melhor isca para pintado?
A tuvira é considerada a melhor isca para pintado pela maioria dos pescadores brasileiros, pois emite sinais bioelétricos que atraem o surubim de grandes distâncias. Em segundo lugar ficam o lambari e o muçum.
Qual o tamanho mínimo para pescar pintado?
O tamanho mínimo varia por estado, mas geralmente fica entre 80 cm e 85 cm de comprimento total. Consulte sempre a regulamentação local antes de pescar.
Pintado e surubim são o mesmo peixe?
Surubim é o nome genérico dado aos peixes do gênero Pseudoplatystoma. O pintado (P. corruscans) é uma espécie de surubim, assim como a cachara (P. fasciatum). Na prática, muitos pescadores usam os termos como sinônimos.
Qual a melhor época para pescar pintado no Pantanal?
A melhor época é de maio a outubro, durante a estação seca. Nesse período, os rios baixam e os pintados se concentram nos canais principais, facilitando a pesca. Evite o período de novembro a fevereiro, quando vigora o defeso da piracema.