Guia prático de pesca esportiva no Brasil

Pesque melhor, respeite o peixe e volte com uma boa história.

Guias claros sobre espécies, técnicas, equipamentos, destinos e regras para planejar a pescaria sem chute, excesso de tralha ou desrespeito ao defeso.

Licença e defeso primeiro Pesque e solte com cuidado Equipamento por situação
Ilustração de planejamento de pesca esportiva com rio, litoral, vara, iscas e checklist de regras

Guias recentes para usar na prática

Conteúdo de campo: técnica, equipamento, época, destino e cuidados com o peixe.

dourado-do-mar

Dourado-do-Mar: Corrico, Iscas e Equipamento

Para pescar dourado-do-mar, procure linhas de corrente, objetos flutuantes, aves e cardumes de pequenos peixes; use o corrico para localizar o predador e passe ao arremesso quando ele aparecer perto do barco. Iscas de saia, plugs, jigs e peixes naturais legalmente obtidos funcionam, desde que trabalhem na mesma profundidade do alimento. O conjunto precisa ter freio progressivo, capacidade de linha e ferragens confiáveis para suportar corridas rápidas e saltos.

O dourado-do-mar (Coryphaena hippurus), também conhecido internacionalmente como mahi-mahi, é um dos peixes mais coloridos e acrobáticos da pesca oceânica. Tem corpo alongado, coloração verde, azul e dourada que muda rapidamente fora d’água, cresce depressa e costuma patrulhar águas abertas atrás de sardinhas, lulas e outros organismos pelágicos. Quando fisgado, alterna corridas velozes, mudanças de direção e saltos que testam a regulagem do equipamento.

13/08/2026 17 min
manjuba

Manjuba como Isca: Como Conservar, Iscar e Usar

Para usar manjuba como isca, mantenha o peixe bem gelado, escolha um anzol proporcional e monte a isca alinhada, com a ponta livre e sem fazê-la girar na corrente. Inteira, a manjuba preserva o perfil de peixe-forrageiro e seleciona predadores; em filé ou tira, libera cheiro, rende mais montagens e facilita a pesca de fundo. Ela funciona para robalo, peixe-espada, anchova, cavala, xaréu, pescada e peixes de pedra, conforme o ponto e a técnica.

12/08/2026 16 min
badejo

Badejo no Litoral: Iscas, Montagem de Fundo e Melhores Locais

Para pescar badejo com regularidade, procure pedra, laje, recife, costão ou naufrágio, apresente a isca perto da estrutura e use um conjunto capaz de impedir que o peixe volte para a toca nos primeiros metros. Sardinha, lula, camarão e tiras firmes de peixe resolvem a maior parte da pesca de fundo. Quando a corrente permite trabalho vertical, jig compacto e soft bait de perfil natural também são opções eficientes.

O badejo é um dos nomes mais citados na pesca costeira e, ao mesmo tempo, um dos alvos menos detalhados em guias próprios. Ele aparece em conversas de pedra, recife e costão ao lado da garoupa, do pargo e da cioba, mas muita gente chega ao ponto sem saber se deve pescar no fundo fechado, na borda da laje ou com jig vertical. O resultado costuma ser enrosco, isca girando na corrente ou peixe perdido na primeira corrida.

11/08/2026 16 min
pescada

Pescada no Litoral: Iscas, Montagem e Melhores Locais

Para pescar pescada com consistência no litoral brasileiro, trabalhe canais de maré, barras e bordas de estuário com isca natural fresca ou soft bait discreto, use montagem de fundo leve e priorize a virada de maré. O peixe costuma responder melhor a apresentação limpa, chumbo apenas suficiente e leitura de corrente do que a equipamento pesado ou isca exagerada.

A pescada é um dos nomes mais citados na pesca costeira e, ao mesmo tempo, um dos alvos menos detalhados em guias práticos. Ela aparece em calendários de verão e outono, em listas de estuário ao lado do robalo e da corvina, e em conversas de píer, barco e barranco. Ainda assim, muita gente chega ao ponto sem saber se deve pescar no fundo, na borda do canal ou na meia-água, e acaba misturando a estratégia da pescada com a de outros peixes de praia.

10/08/2026 12 min
minhoca

Minhoca como Isca: Como Iscar, Conservar e Usar

Para pescar com minhoca, use um anzol proporcional à boca do peixe, atravesse a isca duas ou três vezes pela parte firme e deixe uma ou duas pontas curtas se movimentando. A ponta e a abertura do anzol devem ficar livres. Para tilápia, lambari e piau, comece com um pedaço pequeno; para jundiá, mandi e bagre, use uma minhoca inteira ou um feixe moderado perto do fundo.

A minhoca é uma das iscas naturais mais versáteis da pesca de água doce no Brasil. Custa pouco, é fácil de apresentar e atende desde um caniço simples na margem até uma montagem de fundo em rio. O erro comum é pensar que quanto maior o novelo, maior será o peixe. Na prática, excesso de isca esconde o anzol, facilita o roubo pelas pontas e reduz a taxa de captura.

09/08/2026 16 min
dourada

Dourada Amazônica: Iscas, Montagem e Onde Pescar

Para pescar dourada amazônica, procure canais, confluências e curvas profundas de grandes rios, apresente uma isca natural fresca perto do fundo e use equipamento capaz de controlar o peixe na corrente sem prolongar demais a briga. Uma montagem simples, com chumbo apenas suficiente, líder resistente e anzol reforçado, costuma funcionar melhor do que excesso de ferragem.

A primeira distinção é essencial: dourada amazônica não é o dourado de escamas. A dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) é um grande bagre migrador da bacia Amazônica, de pele lisa e corpo alongado. O dourado, associado principalmente a Salminus brasiliensis, tem escamas, coloração intensa e caça de forma diferente. Confundir os dois peixes leva a escolhas erradas de ponto, isca, conjunto e técnica.

08/08/2026 16 min

Antes de sair

O que muda uma pescaria

O Guia Pesca Esportiva organiza a decisão em quatro perguntas: onde vou pescar, qual espécie faz sentido, que conjunto aguenta o trabalho e qual regra vale naquele lugar.

1. Leia o ambienteTemperatura, água, maré, estrutura e pressão de pesca definem mais que a isca da moda.
2. Ajuste o conjuntoLinha, líder, anzol e freio devem combinar com espécie, técnica e soltura segura.
3. Respeite o limiteDefeso, licença, tamanho mínimo, cota e áreas proibidas variam por local e período.

Dúvidas frequentes

Respostas rápidas para começar certo e evitar erro comum.

Sim: para pescar em águas públicas no Brasil, a licença de pesca amadora do IBAMA é obrigatória a partir dos 18 anos. Ela vale para rio, represa, lago, mar e outras águas sob jurisdição federal, em pesca desembarcada, embarcada ou subaquática conforme a categoria escolhida. Em pesque-pague particular o regime costuma ser outro; menores de 18 anos e alguns isentos de taxa seguem regras específicas, mas isenção de taxa não elimina o cadastro.

SituaçãoPrecisa de licença?Observação prática
Águas públicas (rio, represa, mar)Sim, a partir dos 18 anosEmitida online pelo IBAMA (SISLIC)
Menor de 18 anosEm geral, nãoCostuma precisar de adulto licenciado
Pesque-pague / tanque particularEm geral, nãoSiga o regulamento da casa
Isento de taxa (65+, INSS, PcD)Cadastro simIsento de taxa ≠ dispensado de registro
Licença vencidaNão valeTrate como pescaria sem licença
PDF no celularSim, aceitoSalve offline para fiscalização

Resposta rápida: preciso de licença para pescar?

Para pescar precisa de licença quando a atividade é pesca amadora ou esportiva em águas públicas brasileiras. A autorização é a licença de pesca amadora do IBAMA, documento que registra o pescador e a categoria (desembarcada, embarcada ou subaquática). Sem ela, a pescaria pode ser autuada como infração ambiental, com multa e apreensão de material.

A licença não substitui defeso, tamanho mínimo, cota diária, regras estaduais nem normas de unidades de conservação. Ela só regulariza o pescador amador; o resto da legislação continua valendo. O passo a passo completo está em como obter a licença de pesca do IBAMA. O contexto legal da atividade está em a pesca esportiva é legal no Brasil?.

Por que a licença é necessária?

A exigência da licença de pesca está prevista na Lei Federal 11.959/2009 (Lei da Pesca). O objetivo é ordenar o esforço da pesca amadora, apoiar fiscalização e financiar ações de conservação. Em termos práticos, a licença separa o pescador esportivo regular do pescador irregular e permite ao órgão ambiental saber quem pratica a atividade.

Ter o documento em dia é o mínimo de responsabilidade com o recurso pesqueiro e com a própria tranquilidade na beira d’água. Em destinos de turismo de pesca — Pantanal, Amazônia, Araguaia e Tocantins ou litoral — a fiscalização é comum e o PDF no celular resolve a maior parte das abordagens.

Quem precisa de licença?

Todo pescador amador ou esportivo com 18 anos ou mais precisa de licença para pescar em águas públicas. Há exceções e categorias especiais:

  • Aposentados e pensionistas do INSS: em regra isentos da taxa, mas ainda precisam de cadastro e número de registro.
  • Pessoas com 65 anos ou mais: em regra isentas da taxa de licenciamento.
  • Pessoas com deficiência: isentas da taxa mediante documentação comprobatória, conforme regra vigente.
  • Menores de 18 anos: em geral dispensados da licença quando acompanhados de adulto devidamente licenciado; a responsabilidade legal é do adulto.
  • Povos indígenas em pesca de subsistência em suas terras: seguem regulamentação própria. Para pesca esportiva em outras áreas, a licença amadora se aplica como para qualquer cidadão.

Regra de ouro: isento de taxa não significa dispensado de licença. Sem o número de registro, a isenção não se prova em fiscalização.

Como obter a licença (resumo)

O processo é online, pelo sistema do IBAMA (SISLIC). Em resumo:

  1. Acesse o ambiente oficial do IBAMA para pescador amador.
  2. Cadastre-se com CPF e dados pessoais corretos.
  3. Escolha a categoria: desembarcada, embarcada ou subaquática.
  4. Gere e pague a GRU, se não for isento de taxa.
  5. Aguarde a confirmação do pagamento.
  6. Baixe o PDF da licença e salve no celular (offline).

Detalhes, documentos e renovação estão no guia como obter a licença de pesca do IBAMA. Use sempre o site oficial do governo; não confie em intermediários que prometem “atalho” ou desconto fora do sistema.

Categorias de licença

Pesca desembarcada autoriza a pesca da margem, rochas, praias, pontes, píeres e estruturas fixas. É a opção mais básica e costuma ser a de menor custo.

Pesca embarcada cobre pesca de barco, caiaque, bote e também da margem. É a categoria mais escolhida por quem pratica pesca embarcada em rios, represas e mar, ou quem viaja para destinos com barco.

Pesca subaquática vale para a modalidade com mergulho e equipamento específico (máscara, roupa de neoprene, espingarda de pesca submarina, conforme a regulamentação aplicável).

Se você pesca de barco e da beira — típico em viagens ao Pantanal, à Amazônia ou em represas — a embarcada evita ficar limitado à margem.

Custos, validade e renovação

Os valores das taxas são definidos pelo governo e podem mudar. Consulte o valor no sistema do IBAMA no momento do cadastro; não use números antigos de blogs ou redes sociais como referência definitiva. Em qualquer cenário, a licença costuma ser um dos menores custos da pescaria quando comparada a combustível, iscas, hospedagem e equipamento.

A validade padrão é de um ano a partir da emissão. Renove anualmente pelo mesmo fluxo online. Licença vencida equivale a pescar sem licença. Uma dica simples: coloque um lembrete no celular 30 dias antes do vencimento.

O que acontece se pescar sem licença?

A pesca sem licença válida é infração ambiental prevista no Decreto Federal 6.514/2008 e na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). As consequências podem incluir:

  • Multa, com valor e agravantes conforme a situação
  • Apreensão de material de pesca (varas, molinetes, carretilhas, iscas, caixas, cooler com pescado)
  • Apreensão de embarcação, quando aplicável
  • Apreensão de veículo em infrações graves com uso de transporte
  • Registro de infração ambiental em nome do pescador

O risco não compensa. Regularizar-se online leva pouco tempo e evita estragar a pescaria — e a viagem — em uma abordagem.

A licença vale em todo o Brasil?

A licença federal do IBAMA vale em todo o território nacional nas águas sob jurisdição federal. Ainda assim, estados, municípios e unidades de conservação podem impor regras extras: defeso regional, espécies protegidas, cotas, áreas proibidas, restrições de transporte de pescado ou exigências de pousadas e operadores.

Antes de viajar, confira:

  1. Se a temporada está aberta no destino (quando é o período de defeso, fim do defeso 2026).
  2. Tamanho mínimo e cota da espécie-alvo.
  3. Regras da unidade de conservação, se for o caso.
  4. Exigências da pousada, guia ou barco (como escolher guia de pesca, como planejar viagem de pesca).

Exceções e dúvidas frequentes na prática

Pesque-pague e tanque particular

Em estabelecimentos de pesque-pague, a pesca no tanque da casa em geral não exige licença do IBAMA, porque o peixe está em ambiente privado e controlado. O que vale é o regulamento do local: iscas permitidas, ceva, farpa, retirada, horário e aluguel de equipamento. Use o guia de pesca em pesqueiro e o checklist do que levar.

Se você sair do tanque e pescar no rio ou na represa vizinha, a licença federal volta a ser necessária.

Documentos e fiscalização

Além da licença, leve documento de identidade e, se for o caso, comprovantes de isenção. O PDF da licença no celular costuma bastar. Em barco, tenha também documentação da embarcação e coletes conforme a norma aplicável.

Licença não libera tudo

A licença autoriza a pesca amadora, mas não dispensa:

  • Período de defeso / piracema
  • Tamanhos mínimos e cotas
  • Proibição de petrechos predatórios (rede, tarrafa, espinhel etc. na pesca amadora)
  • Regras de catch and release quando a legislação ou a ética da pescaria pedirem soltura
  • Normas locais de praia, píer, mangue e áreas protegidas

Para montar a saída com segurança e sem esquecer itens, combine esta página com o checklist do que levar para pescaria e, se for iniciante, com o kit de pesca para iniciantes.

Resumo prático antes de ir à água

  1. Água pública + 18 anos ou mais → tire a licença do IBAMA.
  2. Escolha a categoria certa (desembarcada, embarcada ou subaquática).
  3. Salve o PDF offline e renove todo ano.
  4. Confira defeso, cota e regras locais do destino.
  5. Pesque-pague → siga a casa; rio/mar ao lado → licença de novo.
  6. Em dúvida sobre valores, categorias ou isenções, use apenas o sistema oficial do IBAMA.

Regularizar-se é o primeiro passo da pesca esportiva responsável. Com a licença em dia, o foco volta para o que importa: montagem, isca, ponto e respeito ao peixe.

Leia mais →

O período de defeso, também conhecido como piracema, é uma medida de proteção ambiental que visa preservar as espécies de peixes durante sua fase de reprodução. Durante esse período, a pesca de determinadas espécies fica proibida ou fortemente restrita em diversas bacias hidrográficas do Brasil. Compreender e respeitar o defeso é uma das responsabilidades mais importantes de qualquer pescador esportivo consciente.

O que é a piracema?

A piracema é o fenômeno migratório dos peixes de água doce que sobem os rios para desovar. Esse comportamento reprodutivo é essencial para a manutenção das populações de peixes e do equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. A palavra “piracema” vem do tupi e significa literalmente “subida do peixe”, descrevendo exatamente esse movimento migratório que ocorre quando as chuvas chegam e os rios começam a subir.

Durante a piracema, cardumes de espécies como o dourado, o pintado, o pacu, o dourado-do-rio e o curimba realizam longas migrações rio acima, às vezes percorrendo centenas de quilômetros em busca dos locais de desova. É um espetáculo natural impressionante e um processo fundamental para a renovação dos estoques pesqueiros. Pescar durante esse período equivale a interromper o processo reprodutivo das espécies, podendo causar danos irreversíveis às populações locais.

Por que o defeso é fundamental para a pesca esportiva?

Paradoxalmente, o defeso é uma das maiores aliadas do pescador esportivo a longo prazo. Ao proteger as espécies durante a reprodução, o período de defeso garante que os rios e lagos continuem tendo peixes abundantes nas temporadas seguintes. Um rio sem defeso respeitado é um rio que perde gradualmente sua biodiversidade e produtividade pesqueira.

Pescadores esportivos responsáveis entendem que o defeso é um investimento no futuro da atividade. Quem respeita a piracema hoje garante que haverá tucunaré, dourado e pintado para pescar nos próximos anos. É uma visão de longo prazo que separa o verdadeiro esportista do pescador irresponsável.

Datas por região e bacia hidrográfica

As datas do período de defeso variam conforme a região e a bacia hidrográfica, e são estabelecidas anualmente por portaria do IBAMA com base em estudos científicos sobre o ciclo reprodutivo das espécies em cada região. As datas abaixo são referências gerais — sempre consulte as portarias vigentes no site do IBAMA para informações atualizadas:

Bacia do Rio Paraná e afluentes (Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná): O período mais comum é de 1 de novembro a 28/29 de fevereiro, abrangendo as espécies migratórias do Paraná como o dourado, o pacu, o pintado e o curimba. Essa bacia inclui rios importantes como o Paranapanema, o Tietê e o Paraná.

Bacia do Rio Paraguai — Pantanal (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul): O defeso pantaneiro geralmente vai de 1 de novembro a 31 de janeiro. As espécies protegidas incluem o pintado, a cachara, o pacu, o dourado e o curimbatá. O Pantanal é uma das regiões com fiscalização mais rigorosa durante o defeso.

Bacia Amazônica (Pará, Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima): As datas na Amazônia são mais variadas e dependem da sub-bacia. Em geral, o período vai de novembro a março para as principais espécies migratórias. Algumas espécies, como o pirarucu, têm regulamentação de defeso própria e mais rigorosa.

Bacia do Rio São Francisco (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe): O defeso no “Velho Chico” costuma ocorrer entre novembro e fevereiro, protegendo espécies como o dourado, o surubim e o piau. O rio São Francisco tem suas particularidades e recomendamos sempre verificar as portarias específicas para a região.

Nordeste — rios e açudes: No Nordeste semiárido, o defeso pode ocorrer em períodos diferentes, dependendo do regime de chuvas local e das espécies presentes. Açudes e reservatórios podem ter regulamentação própria. Consulte os órgãos ambientais estaduais (SEMACE, SEMA, INEMA etc.) para informações locais.

Pesca marinha: o defeso no mar tem regulamentação própria por espécie e por período, estabelecida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura em conjunto com o IBAMA. Espécies como a lagosta e o camarão têm períodos de defeso bem definidos no litoral brasileiro.

O que é permitido durante o defeso?

Durante o período de defeso, a regra geral é a proibição da pesca de retenção das espécies protegidas. No entanto, a prática de pesque-e-solte (ou catch and release) com certas condições pode ser permitida em alguns estados e bacias hidrográficas:

  • Uso exclusivo de anzóis sem farpa (circle hooks ou anzóis com a farpa amassada)
  • Devolução imediata do peixe à água após a captura, sem retirada da água
  • Proibição de fotografar o peixe em situação de estresse prolongado
  • Em algumas regiões, a própria pesca de pesque-e-solte é proibida durante o defeso

É fundamental verificar a legislação específica do estado e da bacia hidrográfica onde você pretende pescar, pois as regras variam. Não assuma que o pesque-e-solte está automaticamente permitido durante o defeso — em algumas portarias, toda forma de pesca é suspensa para as espécies protegidas.

Fiscalização intensificada no período de defeso

Durante a piracema, os órgãos de fiscalização intensificam significativamente suas operações. O IBAMA, as polícias militares ambientais dos estados, a Marinha do Brasil e as polícias fluviais realizam operações especiais de fiscalização nos principais rios e destinos de pesca do país.

No Pantanal, por exemplo, operações como a “Operação Piracema” mobilizam centenas de agentes de fiscalização que percorrem os rios em barcos, verificam marinas, pousadas e colônias de pescadores. Nos rios da bacia do Paraná, barreiras de fiscalização são montadas em pontos estratégicos durante todo o período proibido.

Penalidades por pescar durante o defeso

A prática de pesca durante o período de defeso, quando não autorizada, configura crime ambiental previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) e infração administrativa pelo Decreto Federal 6.514/2008. As penalidades incluem:

  • Multa que pode variar de R$ 700 a R$ 100.000, dependendo da espécie, quantidade e agravantes
  • Apreensão de todos os equipamentos de pesca: varas, molinetes, carretilhas, iscas, cooler, freezer portátil
  • Apreensão da embarcação utilizada durante a infração
  • Detenção de um a três anos nos casos de crime ambiental configurado
  • Registro de infração ambiental em nome do pescador, dificultando renovação de licenças

Em fiscalizações, a presença de peixe fresco no cooler é evidência suficiente para configurar a infração. Não há “não sabia” que valha — a lei é de conhecimento público e a ignorância não exime de punição.

Como se manter informado sobre o defeso

Antes de planejar qualquer pescaria, especialmente em viagens longas como as expedições ao Pantanal ou à Amazônia, verifique sempre as portarias do IBAMA referentes à sua região de interesse. As normativas são publicadas no Diário Oficial da União e podem ser consultadas diretamente no site do IBAMA (ibama.gov.br).

Outras fontes confiáveis de informação:

  • Órgãos ambientais estaduais (as SEMAs estaduais)
  • Colônias de pescadores locais
  • Guias de pesca profissionais credenciados
  • Associações e federações de pesca esportiva do seu estado

Manter-se informado é fundamental para pescar de forma responsável. Uma ligação para a pousada de pesca ou para o guia local antes da viagem pode evitar surpresas desagradáveis e garantir que sua pescaria ocorra dentro da lei.

O defeso e a piracema

Para um aprofundamento completo sobre o tema, incluindo a biologia da migração reprodutiva, os impactos do defeso sobre os estoques pesqueiros e as datas atualizadas por região, confira nosso artigo completo sobre a piracema e o período de defeso. O conhecimento sobre esse fenômeno natural transforma o pescador em um guardião consciente dos recursos aquáticos do Brasil.

Dúvidas relacionadas

Posso pescar de anzol sem farpa durante o defeso? Depende da portaria vigente para a sua região e bacia hidrográfica. Em alguns estados, o pesque-e-solte com anzol sem farpa é permitido durante o defeso. Em outros, toda pesca é proibida. Consulte sempre a legislação específica antes de ir pescar.

O defeso se aplica a todos os peixes? Não. O defeso é específico para as espécies migratórias e reprodutivas de cada bacia. Espécies não migratórias ou introduzidas, como a tilápia, geralmente não estão sujeitas ao defeso e podem ser pescadas o ano todo com a licença em dia.

Existe defeso para peixes marinhos? Sim. Espécies marinhas como a lagosta, o camarão e alguns peixes costeiros têm períodos de defeso estabelecidos pela legislação pesqueira federal. O período e as condições variam por espécie. Consulte o Ministério da Pesca e Aquicultura para informações atualizadas sobre o defeso marinho.

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Qual a melhor época para pescar no Brasil? Não existe um único mês campeão: a resposta depende da região e do peixe-alvo. Como regra prática, procure águas baixas na Amazônia, a temporada aberta e a vazante no Pantanal, primavera e verão para predadores de represa e janelas de maré, corrente e migração no litoral. Setembro e outubro são meses versáteis para quem ainda não definiu o destino, enquanto o inverno pode ser excelente para várias espécies costeiras.

Para escolher sem errar, defina primeiro a espécie e o ambiente; depois confira nível da água, temperatura, maré, previsão e legislação. A tabela abaixo permite comparar rapidamente as temporadas por região, e o calendário mensal leva aos guias específicos de janeiro a dezembro.

Resposta rápida: melhor época por região

Região ou ambienteJanela que costuma render maisPrincipais oportunidadesO que pode mudar o plano
AmazôniaVazante e seca local, em datas diferentes por baciaTucunaré, apapá, cachorra, bicuda e outros predadoresNível real do rio, repiquete e chuva na cabeceira
PantanalApós o defeso, com águas baixando e temporada abertaPacu, pintado, cachara, piau e outras espécies permitidasCota zero, regras estaduais, cheia e incêndios
Represas do Sudeste e Centro-OestePrimavera e verão para tucunaré e traíra; janelas específicas no frioTucunaré, traíra, tilápia, black bass e peixes de fundoFrente fria, vento, estratificação e nível da represa
Rios do Sul e SudesteFora do defeso, ajustando técnica à temperaturaDourado onde permitido, piapara, piau, lambari e bagresPiracema, água muito fria, enchente e turbidez
Litoral Sul e SudesteVaria por espécie; inverno é forte para vários peixes costeirosCorvina, betara, anchova, espada, serra, tainha e pampoRessaca, vento, maré, defeso e regras por espécie
Litoral Norte e NordesteO ano inteiro, com picos conforme chuva, vento e correnteRobalo, xaréu, cavala, bicuda e peixes recifaisChuva, água doce na costa, vento e áreas protegidas
PesqueirosO ano inteiro; manhã e fim de tarde no calor, período mais aquecido no frioTilápia, pacu, tambaqui, tambacu e pintadoRegulamento da casa, temperatura e manejo do lago

Se você quer transformar essa visão geral em uma saída concreta, consulte também o calendário do mês: janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho e julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro.

Qual é o melhor mês para pescar?

Para quem ainda não definiu destino, setembro e outubro formam uma janela versátil. Parte da Amazônia entra em águas baixas, muitos destinos interiores estão fora da piracema e as represas do Centro-Sul começam a aquecer. Tucunarés, traíras e outros predadores tendem a ganhar atividade com o aumento da temperatura.

Isso não transforma setembro ou outubro em resposta universal. Um pescador de corvina, betara, anchova ou peixe-espada pode preferir o inverno no litoral Sul e Sudeste. Quem busca tucunaré-açu precisa acompanhar o nível do rio específico, não apenas o nome do mês. Para pescar em açude nordestino, o período após as chuvas pode ser mais importante do que a estação marcada no calendário.

Use este roteiro de decisão:

  1. Defina espécie e ambiente: tucunaré amazônico, piau de rio, robalo de mangue e corvina de praia respondem a ciclos diferentes.
  2. Confira se a temporada está aberta: verifique defeso, espécie protegida, unidade de conservação, cota e regra estadual.
  3. Observe a água: nível, temperatura, transparência, corrente e presença de alimento.
  4. Escolha a janela diária: amanhecer, entardecer, mudança de maré ou período mais aquecido no inverno.
  5. Adapte equipamento e isca: peixe lento pede apresentação diferente de predador ativo na superfície.

Amazônia: a melhor época acompanha o nível do rio

Na Amazônia, “seca” não acontece ao mesmo tempo em todas as bacias. O rio Negro, o Madeira, o Tapajós, o Xingu e os rios de Roraima podem apresentar calendários diferentes. Por isso, a informação decisiva é o nível do rio no trecho da pescaria.

Na vazante, a água sai de lagos, igapós e áreas alagadas. Peixes-forrageiros retornam aos canais e predadores ficam mais concentrados. Quando a água baixa até uma faixa segura e navegável, praias, ressacas, bocas de lago e estruturas aparecem, facilitando a leitura e o trabalho de iscas artificiais.

Para tucunaré-açu no rio Negro, muitos roteiros são organizados entre setembro e fevereiro, mas uma cheia tardia, uma seca extrema ou um repiquete pode deslocar a janela. No Tapajós e em outros afluentes, o melhor período pode começar antes ou depois. Antes de reservar, pergunte ao guia de pesca sobre o nível observado, o histórico da semana e a mobilidade da operação.

Veja também o guia de pesca na Amazônia e as técnicas para tucunaré.

Pantanal: temporada aberta, vazante e regras locais

No Pantanal, o calendário combina regime de cheia e legislação. A pesca costuma ganhar força depois do encerramento do defeso, quando a temporada reabre e as águas começam a baixar. Entre outono e primavera, conforme o rio e o estado, aparecem boas janelas para pacu, piau, pintado, cachara e outras espécies cuja captura esteja permitida.

Não trate datas históricas como garantia. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul podem adotar regras diferentes, inclusive restrições de transporte, espécies protegidas e políticas de cota zero. Antes da viagem, consulte os órgãos ambientais do estado e o regulamento da pousada ou operação.

Em água baixando, procure saídas de corixo, bocas de baía, barrancos com fruta, poços e encontros de corrente. Para planejar equipamento e destino, leia o guia de pesca no Pantanal.

Sudeste e Centro-Oeste: represas mudam com a temperatura

Em represas, primavera e verão costumam ativar tucunaré, traíra e tilápia porque a água aquece e aumenta o metabolismo. Amanhecer e entardecer favorecem iscas de superfície; durante sol forte, sombra, barranco, capim, galhada e estruturas mais profundas ganham importância.

O inverno exige outra estratégia, não o abandono da pescaria. Peixes podem reduzir deslocamento e se alimentar em janelas curtas. Trabalhe iscas menores e mais lentas, procure o período em que o sol aqueceu a margem e teste profundidades antes de trocar de ponto. O guia de pesca no outono e inverno detalha essas adaptações.

Para black bass, o outono e o inverno podem render em represas frias do Sul e Sudeste, especialmente com técnicas de fundo e finesse. Para tucunaré, o aquecimento da primavera geralmente facilita a pesca ativa, embora dias estáveis de inverno também produzam.

Sul: não descarte a pesca no frio

É verdade que muitos peixes de água doce ficam menos ativos quando a temperatura cai, mas o Sul oferece oportunidades específicas. Lambari, jundiá, traíra, black bass e espécies costeiras podem render quando a técnica acompanha a estação. Em rios serranos, qualquer pescaria de truta deve respeitar rigorosamente regras locais, áreas autorizadas e possíveis restrições específicas.

No litoral, o frio movimenta cardumes-forrageiros e espécies como corvina, betara, anchova, peixe-espada, tainha e papa-terra. A produtividade depende de maré, vento, água e estrutura. O panorama de pesca costeira no Brasil e o guia de pesca de praia no inverno ajudam a escolher ponto e equipamento.

Nordeste: costa o ano inteiro e açudes após a chuva

No Nordeste, a costa permite pescar durante todo o ano, mas vento, corrente, chuva e entrada de água doce alteram a atividade. Robalo em estuário, xaréu, cavala, bicuda e peixes recifais têm janelas diferentes. Amanhecer, entardecer e água em movimento são bons pontos de partida, sempre respeitando áreas protegidas e normas por espécie.

Em açudes e reservatórios, o período após as chuvas pode renovar margens e aumentar alimento, mas água subindo rapidamente também espalha os peixes. Quando o nível estabiliza, tucunarés, tilápias e traíras podem ocupar vegetação inundada, pontas, pedras e canais antigos.

Melhor época por espécie

Espécie ou grupoJanela geralAjuste mais importante
Tucunaré-açu amazônicoVazante e seca do rio específicoConfirmar nível com operação local
Tucunaré de represaPrimavera e verão; dias estáveis também rendem no frioTemperatura e estrutura
Dourado de rioTemporada aberta, fora do defesoRegra estadual, vazão e espécie protegida em alguns locais
Pacu e piauÁgua estável ou baixando, conforme baciaFrutas, ceva permitida, poços e barrancos
RobaloO ano inteiro em muitos estuáriosMaré, salinidade, temperatura e camarão presente
Corvina e betaraBoas janelas no outono e inverno do Sul/SudesteCanais de praia, maré e estado do mar
Anchova e peixe-espadaFrequentes no período frio em parte do litoralCardume-forrageiro, corrente e segurança
TraíraMeses quentes e dias estáveisVegetação, água rasa e apresentação lenta quando esfria
Tambaqui e tambacu de pesqueiroMeses quentes; horários aquecidos no frioTemperatura do lago e regra da casa

Essas são referências gerais, não garantias. O mesmo peixe muda de comportamento entre um rio natural, uma represa, um pesqueiro e um estuário.

Defeso e piracema: confirme antes de sair

O defeso protege períodos e espécies vulneráveis, e as regras variam por bacia, estado, ambiente e ano. Durante a piracema, pode haver proibição total em determinados rios, permissão apenas para espécies não nativas, restrição de petrechos ou regras próprias para pesca amadora.

Não presuma que o pesque-e-solte está automaticamente liberado. Fisgar uma espécie protegida pode continuar proibido mesmo que ela seja devolvida. Consulte a norma vigente no órgão ambiental responsável pelo local e confirme se a licença de pesca amadora é exigida para a modalidade escolhida.

Como clima, lua e maré entram na escolha

O calendário define a temporada; as condições do dia definem a janela.

  • Frente fria: a queda brusca de temperatura e pressão pode interromper a atividade. Depois da estabilização, a pesca tende a ficar mais previsível.
  • Chuva: pode oxigenar e ativar peixes, mas chuva forte aumenta corrente, turbidez e risco de raio.
  • Vento: ajuda a concentrar alimento em uma margem de represa, porém torna navegação e arremesso perigosos quando forte.
  • Lua: influencia marés e luminosidade, mas não substitui a leitura do ponto. Use o calendário lunar de pesca como variável complementar.
  • Maré: no litoral, enchente e vazante movimentam alimento. A melhor fase depende de praia, canal, mangue, píer ou costão.

Checklist para escolher a data da pescaria

Antes de reservar viagem ou separar o equipamento, responda:

  • A espécie pode ser pescada legalmente nessa data e nesse local?
  • O rio está enchendo, vazando, baixo ou sob repiquete?
  • A temperatura da água favorece atividade ou pede isca lenta?
  • No litoral, qual é o horário da enchente e da vazante?
  • Há vento forte, ressaca, trovoada ou risco de cabeça-d’água?
  • O guia ou a pousada informou o estado real da água nos últimos dias?
  • Seu equipamento está adequado ao ambiente e ao peixe, sem exagero?

A melhor época para pescar é aquela em que espécie, água, clima e regra apontam na mesma direção. Escolher o mês certo ajuda, mas acompanhar a condição real do destino é o que transforma calendário em pescaria produtiva e segura.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor época para pescar no Brasil?

Não existe um único mês ideal para todo o país. Na Amazônia, procure a vazante e a seca local; no Pantanal, a temporada aberta e as águas baixando; em represas, primavera e verão favorecem muitos predadores; no litoral, escolha a janela pela espécie, maré e região.

Qual é o melhor mês para pescar?

Setembro e outubro são meses versáteis para quem ainda não escolheu um destino, mas não são universais. Junho e julho podem ser melhores para várias espécies costeiras, enquanto o tucunaré amazônico depende do nível do rio específico.

O inverno é bom para pescar?

Sim. Use apresentações mais lentas em rios e represas e aproveite espécies típicas da estação no litoral. O período mais aquecido do dia e sequências de clima estável tendem a ser melhores do que a chegada de uma frente fria.

Pode pescar durante o defeso?

Depende da norma local. Pode haver proibição total, ambientes liberados, espécies não nativas permitidas ou restrições de petrechos. Pesque-e-solte não significa autorização automática. Consulte o órgão competente antes de sair.

Chuva atrapalha a pesca?

Chuva fraca nem sempre atrapalha. O problema maior é a mudança brusca de nível, correnteza, água excessivamente barrenta, vento forte e raios. Segurança deve vir antes da tentativa de aproveitar uma janela de atividade.

Qual é a melhor maré para pescar no litoral?

O início da enchente e o início da vazante são bons pontos de partida porque movimentam alimento. Registre o resultado no seu ponto: algumas praias rendem na vazante, enquanto mangues, canais e costões podem produzir melhor na enchente.

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Escolher a vara de pesca ideal é uma das decisões mais importantes para qualquer pescador, seja iniciante ou experiente. A vara certa pode fazer toda a diferença entre uma pescaria frustrante e uma experiência memorável. Existem diversos fatores que devem ser considerados na hora da escolha, e cada detalhe influencia diretamente o desempenho em campo.

Tipos de vara

As varas de pesca se dividem em duas categorias principais: varas para molinete e varas para carretilha. As varas para molinete possuem passadores maiores na parte inferior e são mais indicadas para iniciantes, pois o molinete é mais fácil de operar. As varas para carretilha têm passadores menores posicionados na parte superior e oferecem maior precisão nos arremessos, sendo preferidas por pescadores mais experientes.

Existe ainda um terceiro tipo pouco falado: as varas de fly fishing, projetadas especificamente para a pesca com mosca artificial. São equipamentos completamente diferentes, construídos para lançar a linha e não a isca, e exigem técnica específica para operar. No Brasil, o fly fishing é praticado principalmente em rios da Serra Gaúcha, no sul de Minas Gerais e em rios da Amazônia, onde as espécies locais oferecem combates memoráveis.

Há também o caniço, a vara mais simples de todas, sem argolas nem porta-molinete, usada com linha diretamente presa à ponta. É uma excelente opção para iniciantes e crianças, e ainda é muito utilizada em pescarias de margem em todo o Brasil.

Potência da vara

A potência (ou power) indica a capacidade de carga da vara e é classificada em categorias como ultralight (UL), light (L), medium-light (ML), medium (M), medium-heavy (MH) e heavy (H). Entender essa classificação é fundamental para não subcarregar ou sobrecarregar o equipamento.

Para peixes menores, como tilápias e lambaris encontrados em rios do interior do Brasil, varas ultralight ou light são suficientes e proporcionam ótima diversão. Para espécies de médio porte, como tucunaré e robalo, varas medium ou medium-heavy são as mais indicadas — elas suportam o peso do peixe sem sacrificar sensibilidade. Já para peixes grandes, como pintado e piraíba nas profundas calhas dos rios amazônicos, varas heavy ou extra-heavy são necessárias para suportar combates longos e intensos.

No Pantanal, onde o dourado pode superar os 15 quilos, varas medium-heavy a heavy com bom backbone são a escolha certa. Já na pesca costeira de robalo em estuários e manguezais, varas medium com boa sensibilidade na ponta ajudam a perceber as bicadas mais sutis.

Ação da vara

A ação da vara refere-se ao ponto onde ela começa a flexionar quando sob carga. Esse é um dos aspectos mais importantes e também um dos mais confundidos pelos iniciantes.

Varas de ação rápida (fast) flexionam apenas no terço superior, oferecendo maior sensibilidade e firmeza na fisgada — são excelentes para trabalhar iscas artificiais como jigs e soft baits. Varas de ação média (moderate) flexionam até o meio, proporcionando um equilíbrio entre sensibilidade e capacidade de absorção de impacto; são ideais para quem está começando. Varas de ação lenta (slow) flexionam desde a base, sendo ideais para peixes que fazem corridas longas e vigorosas, como o robalo na saída do manguezal.

Para a pesca de tucunaré com plugs de superfície e poppers, varas de ação regular a moderada são indicadas, pois absorvem melhor o salto do peixe no momento da fisgada, reduzindo a abertura dos anzóis. Para a pesca técnica com jig e spinner bait, ação rápida traz mais controle e sensibilidade.

Material de fabricação

As varas modernas são fabricadas principalmente em fibra de carbono (grafite), fibra de vidro ou uma combinação de ambas (compostas). A escolha do material interfere no peso, na sensibilidade e na resistência do equipamento.

Varas de fibra de carbono são mais leves, sensíveis e responsivas, transmitindo com precisão cada toque na isca — porém são mais caras e mais frágeis a impactos laterais. Varas de fibra de vidro são mais resistentes e acessíveis, suportam bem o mau uso e são indicadas para pesca com iscas naturais pesadas, mas pesam mais e têm menos sensibilidade. As varas compostas, com mescla dos dois materiais, oferecem bom equilíbrio entre as características dos dois materiais e costumam ser a melhor relação custo-benefício para a maioria dos pescadores.

Comprimento

O comprimento da vara influencia diretamente a distância do arremesso e o controle sobre o peixe durante o combate. A medida é indicada em pés (’) e polegadas (").

Varas mais longas (acima de 6'6") permitem arremessos mais distantes e são ideais para pesca em locais abertos, como margens largas de rios e represas. No Pantanal e na Amazônia, varas de 6'6" a 7’ são muito comuns em barcos de pesca, permitindo cobrir uma área maior ao redor da embarcação. Varas mais curtas (abaixo de 5'6") oferecem maior precisão e são preferidas para pesca em locais com vegetação densa, sob pontes, galhadas e troncos — situações comuns na pesca de tucunaré em igapós amazônicos.

Para a pesca na costa, especialmente o surf casting, varas longas de 9 a 12 pés são utilizadas para lançar a isca a distâncias de 60 a 100 metros, alcançando as corridas de peixes além da arrebentação.

Passadores e componentes

Os passadores (ou guias) são argolas por onde a linha passa ao longo da vara. Sua qualidade afeta diretamente a durabilidade da linha e a fluidez do arremesso. Passadores com inserto de carbeto de silício (SiC) ou alumina são os melhores para linhas de PE (multifilamento), pois o material resistente não danifica a linha durante os arremessos. Varas mais baratas usam passadores de aço inox simples, que podem desgastar linhas mais finas ao longo do tempo.

O porta-molinete (ou seat) é outra parte importante. Modelos ergonômicos com trava dupla mantêm o equipamento firme durante combates intensos. Em varas de baitcast, o trigger (gatilho) abaixo do porta-molinete facilita o posicionamento correto da mão.

Relação custo-benefício e marcas

O mercado brasileiro oferece varas em todas as faixas de preço. Marcas nacionais como Marine Sports, Hélice e Maruri oferecem boas opções de entrada a preço acessível. No segmento intermediário, marcas como Rapala, St. Croix e Daiwa disponibilizam produtos com ótimo desempenho. Para pescadores mais exigentes, varas Shimano, G. Loomis e Megabass representam o topo de linha.

Para equipamentos iniciantes, confira nosso guia completo sobre equipamentos de pesca para iniciantes e entenda como montar seu kit básico sem gastar muito.

Dica para iniciantes

Se você está começando na pesca esportiva, opte por uma vara de ação média, potência medium, com comprimento entre 5'6" e 6'6". Essa configuração é versátil o suficiente para atender a maioria das situações de pesca — seja em represas do interior, rios de médio porte ou costas mais calmas — e permite que você aprenda as técnicas básicas sem grandes dificuldades. Invista em uma vara de qualidade intermediária, que ofereça bom desempenho sem comprometer excessivamente o orçamento.

Lembre-se de combinar a potência da vara com a linha e os anzóis adequados. Uma vara medium com linha muito grossa ou muito fina compromete o desempenho e a sensibilidade. Consulte sempre as especificações do fabricante indicadas no blank da vara.

Dúvidas relacionadas

Posso usar a mesma vara para rios e mar? Tecnicamente sim, mas varas específicas para água salgada possuem componentes anticorrosivos que prolongam sua vida útil. Se você pesca muito no litoral, invista em uma vara específica para pesca costeira.

Quantas varas um pescador deve ter? Não existe um número certo. Muitos pescadores esportivos carregam entre duas e quatro varas com configurações diferentes para adaptar rapidamente à situação de pesca. Um kit básico com uma vara leve para iscas pequenas e uma medium para iscas maiores já atende bem a maioria das situações.

Vara de um ou dois pedaços? Varas de um pedaço (solid) têm melhor transmissão de sensibilidade, enquanto varas de dois ou mais pedaços (pack rods ou travel rods) são mais fáceis de transportar. Para pescadores que viajam muito, as varas desmontáveis são uma boa solução sem sacrificar muito desempenho.

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O Brasil é um verdadeiro paraíso para a pesca esportiva, abrigando uma enorme diversidade de espécies de peixes em seus rios, lagos, represas e na extensa costa marítima. Com mais de 3.000 espécies de peixes de água doce — a maior diversidade do mundo — e um litoral de quase 8.000 quilômetros, o país oferece oportunidades de pesca únicas em todos os biomas. Conheça os principais peixes que você pode pescar legalmente no Brasil e onde encontrar cada um.

Tucunaré

O tucunaré é, sem dúvida, o peixe mais popular da pesca esportiva brasileira. Encontrado principalmente na região amazônica e em represas do Sudeste e Centro-Oeste, esse peixe é conhecido por suas explosivas atacadas na superfície e brigas intensas que colocam à prova o equipamento e a habilidade do pescador.

Existem diversas espécies de tucunaré no Brasil. O tucunaré-açu (Cichla temensis) é o mais cobiçado, podendo ultrapassar os 12 quilos — exemplares de troféu são encontrados no rio Negro e no Tapajós, no Amazonas. O tucunaré-azul (Cichla piquiti) é comum nas represas do Sudeste e Centro-Oeste. Já o tucunaré-comum (Cichla ocellaris) é amplamente distribuído por toda a Amazônia.

A pesca geralmente é feita com iscas artificiais, como plugs de superfície, poppers, jerkbaits e jigs. Para um guia completo, confira nosso artigo sobre como pescar tucunaré.

Dourado

Considerado o rei dos rios brasileiros, o dourado (Salminus brasiliensis) é uma espécie altamente combativa que habita as bacias do Paraná, Paraguai e São Francisco. Com sua coloração dourada brilhante e os espetaculares saltos durante a briga, o dourado é um dos peixes mais emocionantes de se pescar — e um dos mais fotografados pelos pescadores esportivos.

Pode atingir mais de 20 quilos e é normalmente capturado com iscas artificiais ou peixes vivos como isca natural. O corrico é uma técnica muito eficaz para o dourado nos grandes rios pantaneiros. Durante o período de piracema, o dourado protege suas crias com fervor, tornando o pesque-e-solte ainda mais importante. Saiba mais em nosso guia sobre técnicas de pesca do dourado.

Robalo

O robalo é o rei da pesca costeira brasileira. No Brasil, as duas principais espécies são o robalo-flecha (Centropomus undecimalis) e o robalo-peva (Centropomus parallelus). Encontrados em estuários, manguezais, gamboas e na costa de praticamente todo o litoral brasileiro, os robalos são peixes inteligentes e cautelosos que exigem técnica refinada e paciência do pescador.

A pesca com iscas artificiais, especialmente jigs, soft plastics e poppers leves, é extremamente popular. O robalo também responde muito bem a iscas naturais como tilápias vivas e camarão. Para técnicas e destinos, confira nosso artigo sobre pesca de robalo no litoral brasileiro.

Pintado e Cachara

Esses grandes bagres sul-americanos são encontrados principalmente no Pantanal e nas bacias dos rios Paraná e São Francisco. O pintado (Pseudoplatystoma corruscans) pode ultrapassar os 80 quilos, tornando-se um dos maiores desafios da pesca esportiva de água doce. A cachara (Pseudoplatystoma fasciatum) é ligeiramente menor, mas igualmente combativa.

A pesca é feita com varas e linhas resistentes, com iscas naturais de fundo — peixes de corte, minhocuçu e piranha são usados como engodo. Para pescadores que buscam a experiência completa com esses gigantes do Pantanal, o artigo sobre pesca no Pantanal é leitura obrigatória.

Tucunaré-Azul (Peacock Bass)

Além do tucunaré comum, o Brasil possui o tucunaré-azul (Cichla piquiti) e outras espécies do gênero Cichla encontradas em rios de águas claras e escuras da Amazônia. Essas espécies atraem pescadores do mundo inteiro, transformando destinos como Barcelos (AM) e o Arquipélago de Anavilhanas em meca da pesca esportiva global.

A agressividade dessas espécies ao atacar iscas artificiais grandes é lendária — plugs de superfície de 20 cm são engolidos com violência. O fly fishing com moscas de pelo e penas é outra técnica apreciada para o peacock bass em rios amazônicos. Confira os melhores destinos de pesca na Amazônia para planejar sua expedição.

Tambaqui

O tambaqui (Colossoma macropomum) é um dos maiores peixes de escamas da América do Sul, podendo atingir mais de 30 quilos. Sua pesca é desafiadora e muito apreciada por pescadores esportivos. É encontrado principalmente nos rios e lagos da bacia amazônica, com concentrações no Alto Rio Negro, Solimões e seus afluentes.

Uma particularidade fascinante do tambaqui é a pesca com frutas como isca natural — castanha do pará, seringa e outras frutas que caem naturalmente na água são usadas como engodo, replicando a dieta natural do peixe nos meses de cheia. O pesque-e-solte do tambaqui é especialmente recomendado por ser uma espécie com pressão de pesca elevada.

Pacu e Pirapitinga

O pacu (Colossoma mitrei e outros do grupo) e a pirapitinga (Colossoma bidens) são espécies pantaneiras muito populares. O pacu é um peixe musculoso que oferece brigas longas e desgastantes, especialmente quando fisgado em correnteza. A pesca com frutas (principalmente a pitomba e a figueira) é a técnica mais usada e fascinante para essas espécies de hábitos herbívoros.

Espécies marinhas: pesca na costa brasileira

O litoral brasileiro oferece uma variedade impressionante de espécies para a pesca esportiva. Para saber mais sobre todos esses destinos, leia nosso guia de pesca costeira no litoral do Brasil.

Marlim e agulhão: a pesca oceânica de grande porte, com destinos como Vitória (ES), Cabo Frio (RJ) e Arquipélago de Abrolhos (BA), é de classe mundial. O marlim-azul (Makaira nigricans) e o agulhão-negro são troféus cobiçados por pescadores de todo o mundo.

Dourado-do-mar: o dourado pelágico (Coryphaena hippurus) é um dos peixes mais coloridos e acrobáticos do oceano. Comum na costa brasileira entre outubro e março, é capturado no corrico em velocidades elevadas.

Atum e bonito: diversas espécies de atum e bonito são encontradas nas águas brasileiras, especialmente na região Nordeste e nas ilhas oceânicas. A pesca ao jigging vertical e ao popping para atum é uma especialidade crescente no Brasil.

Xaréu, cavalinha e garoupa: espécies costeiras amplamente distribuídas pelo litoral, acessíveis para a pesca embarcada de barco pequeno ou de píer.

Regulamentação: tamanhos mínimos e cotas

Cada espécie possui tamanhos mínimos de captura e cotas estabelecidas pelo IBAMA e pelos órgãos ambientais estaduais. Capturar um peixe abaixo do tamanho mínimo é infração, mesmo que ele seja devolvido ao mar. Exemplos de tamanhos mínimos comuns:

  • Tucunaré: 25 cm (varia por espécie e região)
  • Robalo: 40 cm
  • Dourado: 40 cm
  • Pintado/cachara: 60 cm
  • Pacu: 35 cm

Esses valores podem ser atualizados anualmente e variar por estado. Sempre consulte as portarias do IBAMA e os regulamentos estaduais vigentes antes de planejar sua pescaria. Durante o período de defeso, algumas dessas espécies têm sua captura totalmente proibida para proteger a reprodução.

Dúvidas relacionadas

Posso pescar pirarucu no Brasil? O pirarucu (Arapaima gigas) é alvo de regulamentação especial. Em diversas áreas da Amazônia, sua pesca só é permitida mediante autorização específica e dentro de planos de manejo comunitários. Verifique sempre com o IBAMA e com os órgãos estaduais as condições vigentes na área onde pretende pescar.

Que espécies devo priorizar no pesque-e-solte? Espécies ameaçadas ou com alto valor reprodutivo são as principais candidatas ao pesque-e-solte responsável: dourado, pintado, pirarucu, tucunaré-açu e outras espécies de grande porte. Para saber como fazer o pesque-e-solte corretamente, leia nosso artigo sobre como soltar o peixe corretamente.

Existem espécies que não posso pescar de forma alguma? Sim. Espécies listadas como ameaçadas de extinção na lista do ICMBio/MMA são protegidas e não podem ser capturadas intencionalmente. A lista é atualizada periodicamente e pode ser consultada no site do ICMBio.

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