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title: "Catch and Release"
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description: "Entenda o catch and release, prática de pesca com devolução dos peixes. Saiba a importância, técnicas corretas e como praticar no Brasil."
date: "2026-01-10"
author: "Equipe Guia Pesca Esportiva"
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# Catch and Release

Entenda o catch and release, prática de pesca com devolução dos peixes. Saiba a importância, técnicas corretas e como praticar no Brasil.


## O Que É Catch and Release

Catch and release — ou pesque e solte, como dizemos em bom português — é a prática de devolver o peixe à água com vida após a captura, priorizando a experiência esportiva da pescaria e a conservação dos recursos naturais em detrimento da retenção do peixe para consumo. Mais do que uma simples técnica, o catch and release é uma filosofia de pesca que reflete a consciência ambiental do pescador esportivo moderno, que compreende que os estoques pesqueiros são finitos e que cada peixe devolvido com saúde contribui para a manutenção das populações e a sustentabilidade do esporte a longo prazo.

A origem do catch and release remonta à pesca esportiva britânica do século XIX, onde pescadores de trutas e salmões começaram a devolver exemplares menores para que pudessem crescer e se reproduzir. Nos Estados Unidos, a prática ganhou força a partir da década de 1950, impulsionada por organizações conservacionistas e pela percepção de que lagos e rios estavam sendo sobrepescados. No Brasil, o catch and release começou a se popularizar nos anos 1990, acompanhando o crescimento da pesca esportiva como atividade de lazer e turismo, e hoje é um dos pilares fundamentais da cultura pesqueira esportiva nacional.

O princípio central do catch and release é elegantemente simples: o peixe é um recurso renovável desde que seja tratado com respeito. Um [tucunaré](/glossario/tucunare/) devolvido à água hoje pode ser capturado novamente por outro pescador amanhã, proporcionando múltiplas experiências de pesca a partir de um único animal. Essa visão transforma o peixe de um produto de consumo descartável em um patrimônio compartilhado por toda a comunidade de pescadores, gerando um incentivo coletivo para a conservação. Quando praticado corretamente, com técnicas e equipamentos adequados, o catch and release apresenta taxas de sobrevivência altíssimas, superiores a 95% para a maioria das espécies esportivas brasileiras.

## Como Funciona na Pesca Esportiva

O catch and release bem-sucedido não acontece apenas no momento da soltura — ele começa muito antes, na escolha dos equipamentos e na preparação para a pescaria. A seleção de [anzóis](/glossario/anzol/) adequados é o primeiro passo: [anzóis circle](/glossario/anzol-circle/) são altamente recomendados para pescarias com isca natural, pois fisgam predominantemente no canto da boca, facilitando a remoção e minimizando danos internos. Para a pesca com [iscas artificiais](/glossario/artificial/), o uso de [garatéias](/glossario/garateia/) sem farpa ou com farpa amassada reduz o tempo de manuseio e o estresse causado ao peixe durante a soltura. O uso de [linhas](/glossario/linha/) e equipamentos adequados ao porte da espécie-alvo também é fundamental — equipamentos muito leves resultam em brigas excessivamente longas que esgotam o peixe.

Durante a briga, o objetivo é cansar o peixe o suficiente para trazê-lo até as mãos, mas sem exauri-lo completamente. Brigas muito longas causam acúmulo de ácido lático nos músculos do peixe e consumo excessivo de oxigênio, comprometendo sua recuperação após a soltura. Use o drag da [carretilha](/glossario/carretilha/) ou do [molinete](/glossario/molinete/) de forma firme, mantendo pressão constante para encurtar o tempo de luta. Tenha à mão um alicate de bico longo para remoção rápida dos anzóis e, se possível, um puçá (net) com malha de borracha que não danifica as escamas e a mucosa protetora do peixe.

O momento da soltura é o mais crítico de todo o processo. Após remover o anzol, segure o peixe gentilmente na água em posição horizontal, com uma mão apoiando o ventre e a outra segurando o pedúnculo caudal. Nunca segure o peixe verticalmente pela boca — o peso dos órgãos internos pode causar danos irreversíveis, especialmente em peixes maiores. Mantenha o peixe na água com a cabeça voltada contra a corrente (em rios) ou movimente-o suavemente para frente e para trás (em águas paradas) para forçar água pelas brânquias e auxiliar a oxigenação. Só libere o peixe quando ele demonstrar vigor, movimentar as nadadeiras ativamente e nadar por conta própria. Se o peixe virar de barriga para cima ou parecer desorientado, continue o processo de recuperação até que ele se estabilize.

## Contexto na Pesca Brasileira

O Brasil possui uma das legislações mais progressistas do mundo no que diz respeito à pesca esportiva e ao catch and release. A Lei de Crimes Ambientais e as regulamentações do IBAMA e dos órgãos ambientais estaduais incentivam fortemente a prática do pesque e solte, especialmente para espécies consideradas troféu, como o [tucunaré](/blog/tucunare-como-pescar-guia/), o [dourado](/blog/dourado-rio-pesca-tecnicas/) e o [robalo](/blog/robalo-pesca-tecnicas-locais/). Em muitos destinos de pesca esportiva na [Amazônia](/blog/pesca-na-amazonia-melhores-destinos/) e no [Pantanal](/blog/pesca-no-pantanal-guia-completo/), o catch and release é obrigatório por regulamentação local, reconhecendo que o valor econômico de um peixe vivo — capaz de atrair turistas repetidamente — é infinitamente superior ao de um peixe morto.

Durante os períodos de [piracema](/glossario/piracema/) e [defeso](/glossario/defeso/), a legislação brasileira restringe ou proíbe a pesca em diversas regiões para permitir a reprodução das espécies. Nesses períodos, a importância do catch and release ao longo do restante do ano se torna ainda mais evidente: os peixes devolvidos durante a temporada de pesca são os que formarão os cardumes reprodutores durante o defeso, perpetuando o ciclo de vida e garantindo a abundância para as temporadas futuras. Competições de pesca esportiva no Brasil adotaram o catch and release como prática obrigatória, com pesagem em bags de água e protocolos rígidos de manuseio que garantem a sobrevivência dos peixes capturados. Essa cultura conservacionista diferencia a pesca esportiva brasileira e a posiciona como exemplo para outros países da América Latina. Confira as regras sobre [piracema e períodos de defeso](/blog/piracema-defeso-quando-pescar/) para planejar sua pescaria com responsabilidade.

## Dicas Práticas

Preparar-se para o catch and release antes de chegar à água faz toda a diferença. Monte seu [tackle](/glossario/tackle/) com equipamentos que facilitem a soltura: alicate de bico longo ou hemostático para remoção de anzóis, puçá com malha de borracha, luvas de proteção e, se possível, um unhooking mat (tapete de desengate) para apoiar o peixe durante a remoção do anzol e a foto. Troque as [garatéias](/glossario/garateia/) com farpa das suas [iscas artificiais](/glossario/artificial/) por modelos sem farpa ou amasse as farpas com um alicate antes de pescar. Se estiver usando iscas naturais, prefira [anzóis circle](/glossario/anzol-circle/) que se cravam no canto da boca.

Para a foto — porque todo pescador merece registrar seus troféus — trabalhe com agilidade. Tenha a câmera ou celular já preparado antes de trazer o peixe para fora d'água. Molhe as mãos antes de tocar no peixe para proteger a camada de muco que reveste suas escamas, uma barreira natural contra infecções. Mantenha o peixe fora da água pelo menor tempo possível — o ideal é menos de trinta segundos. Se o anzol estiver engolido profundamente, corte a [linha](/glossario/linha/) rente ao anzol em vez de tentar removê-lo à força; o anzol será naturalmente expulso ou absorvido pelo organismo do peixe. Em dias muito quentes, quando a água está com temperatura elevada e baixo oxigênio dissolvido, redobre os cuidados: encurte a briga, minimize o manuseio e invista mais tempo na recuperação antes da soltura. Para um guia detalhado sobre técnicas de devolução, leia nosso artigo sobre [como soltar o peixe corretamente](/blog/como-soltar-peixe-corretamente/).

## Termos Relacionados

- [Anzol Circle](/glossario/anzol-circle/) — modelo ideal para catch and release
- [Anzol](/glossario/anzol/) — componente que impacta diretamente a sobrevivência do peixe
- [Garateia](/glossario/garateia/) — anzóis triplos que podem ser adaptados para soltura
- [Isca Artificial](/glossario/artificial/) — iscas que facilitam o pesque e solte
- [Piracema](/glossario/piracema/) — período reprodutivo protegido por lei
- [Defeso](/glossario/defeso/) — proibição de pesca durante a reprodução
- [Tucunaré](/glossario/tucunare/) — espécie emblemática do catch and release no Brasil
- [Como Soltar o Peixe Corretamente](/blog/como-soltar-peixe-corretamente/) — guia completo de devolução
- [Pesca na Amazônia](/blog/pesca-na-amazonia-melhores-destinos/) — destino onde o C&R é obrigatório
- [Pesca no Pantanal](/blog/pesca-no-pantanal-guia-completo/) — outro grande destino de pesque e solte

## Perguntas Frequentes

**O peixe realmente sobrevive depois de ser solto?**
Sim, quando o catch and release é praticado corretamente, as taxas de sobrevivência são altíssimas — superiores a 95% para a maioria das espécies esportivas brasileiras. Estudos com [tucunarés](/glossario/tucunare/) marcados com transmissores demonstram que peixes devolvidos retomam seu comportamento normal em questão de horas. Os fatores que mais influenciam a sobrevivência são: tempo de briga, local da fisgada, tempo fora da água e temperatura da água. Usando equipamento adequado, [anzóis circle](/glossario/anzol-circle/) e técnicas corretas de manuseio, a grande maioria dos peixes volta saudável para a água.

**Catch and release é obrigatório no Brasil?**
Não existe uma regra nacional que torne o catch and release obrigatório para toda pesca, mas diversas regulamentações estaduais e municipais o exigem em determinadas áreas, para determinadas espécies ou durante certos períodos. Em muitos destinos de pesca esportiva na [Amazônia](/blog/pesca-na-amazonia-melhores-destinos/) e no [Pantanal](/blog/pesca-no-pantanal-guia-completo/), a devolução é obrigatória. Competições de pesca esportiva no Brasil adotam o catch and release como regra universal. Mesmo onde não é obrigatório, a prática é altamente recomendada como atitude ética e conservacionista.

**Posso praticar catch and release com qualquer equipamento?**
Tecnicamente sim, mas alguns equipamentos facilitam muito a prática. [Anzóis circle](/glossario/anzol-circle/) para iscas naturais, [iscas artificiais](/glossario/artificial/) com garatéias sem farpa, alicate de bico longo, puçá com malha de borracha e equipamentos dimensionados para a espécie-alvo (que não prolonguem a briga desnecessariamente) são itens que fazem grande diferença na taxa de sobrevivência dos peixes devolvidos. A pesca com [caniço](/glossario/canico/) tradicional também permite catch and release, desde que o manuseio seja feito com os devidos cuidados.

**E se o peixe parecer morto na hora da soltura — o que fazer?**
Não desista imediatamente. Segure o peixe na água em posição horizontal, com a cabeça voltada contra a corrente, e movimente-o suavemente para frente e para trás, forçando água pelas brânquias. Esse processo de "ressuscitação" pode levar vários minutos, especialmente após brigas longas ou em dias quentes. Continue até que o peixe mostre sinais de recuperação: movimentação das nadadeiras, tentativas de nadar, fechamento da boca e abertura ritmada das brânquias. Se mesmo após vários minutos o peixe não reagir, e a legislação local permitir, ele pode ser retido — mas na imensa maioria dos casos, com paciência, o peixe se recupera e nada de volta para a liberdade.
